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segunda-feira, 17 de maio de 2010
Israel diz que Irã enganou Brasil e Turquia
De acordo com a agência de notícias France Presse, um alto funcionário do governo israelense teria dito que o Irã enganou o Brasil e a Turquia com o acordo de troca de material nuclear, assinado poucas horas antes."Os iranianos enganaram o Brasil e a Turquia fingindo aceitar que o enriquecimento de parte do seu urânio seja feito na Turquia", afirmou o funcionário que pediu anonimato. "Eles já fizeram o mesmo no passado, fingindo aceitar esse procedimento para diminuir a tensão e o riscode sanções internacionais, porém, em seguida, se negaram a cumprir o acordo", disse. Na manhã desta segunda-feira (horário local), os ministros de Relações Exteriores do Brasil, Turquia e Irã assinaram um acordo no qual o Irã enviará 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido para a Turquia e receberá de volta, em um ano, o material enriquecido a 20% (nível utilizado para um reator de pesquisa).
Irã assina acordo nuclear proposto por Brasil e Turquia
O Irã concordou em enviar urânio para ser enriquecido no exterior, como parte de um acordo negociado em Teerã entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.O porta-voz do Ministério do Exterior do país, Ramin Mehmanparast, disse que o país vai enviar 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento (3,5%) para a Turquia em troca de combustível para um reator nuclear a ser usado em pesquisas médicas em Teerã.
O entendimento anunciado nesta segunda-feira e assinado em frente a jornalistas em Teerã tem como base a proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, órgão da ONU), do final do ano passado, que previa o enriquecimento do urânio iraniano em outro país em níveis que possibilitariam sua utilização para uso civil, não militar.
Analistas acreditam que a adoção de uma proposta que segue as linhas do que foi negociado na ONU poderia esfriar os ânimos dentro do Conselho de Segurança da organização e evitar uma nova rodada de sanções, como defendem os Estados Unidos.
Entretanto, o correspondente da BBC em Istambul, Jonathan Head, disse que mesmo entre as autoridades do Ministério do Exterior turco existe um ceticismo pela possibilidade de que o Irã esteja acenando com boa vontade, mas pouco disposto a cooperar na questão nuclear.
Poucos minutos após o anúncio do acordo, Israel criticou o Irã, afirmando que Teerã está “manipulando” o Brasil e a Turquia.
Os dois países, potências não-nucleares e membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU, querem evitar as sanções.
Alguns integrantes do Conselho – principalmente os Estados Unidos – desconfiam das intenções do programa nuclear iraniano.
O Irã afirma que ele tem fins pacíficos, e que o país não pretende desenvolver armas nucleares.
Os termos do acordo serão submetidos à AIEA, anunciou o Irã. Se for aceito, os 1.200 quilos de urânio iraniano com baixo enriquecimento ficarão guardado na Turquia sob vigilância turca e iraniana.
Em troca, após um ano, o Irã tem direito de receber 120 quilos de material enriquecido a 20%. Rússia e França já haviam se oferecido para fornecer esse urânio.
A expectativa era de que um novo entendimento com os iranianos fosse anunciado ainda no domingo, mas o assunto não foi comentado nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tampouco pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, durante o encontro bilateral.
Inicialmente, o premiê Erdogan era esperado para um encontro trilateral com os líderes brasileiros e iraniano, mas acabou desistindo da viagem sob o argumento de que a o Irã não estaria “comprometido” com o acordo proposto.
No fim, Erdogan acabou viajando a Teerã, onde chegou nas primeiras horas da segunda-feira.
O suspense indica que a diplomacia para chegar a um acordo foi “complexa”, segundo as palavras do próprio ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em entrevista ao jornal Washington Post.
Na sexta-feira, em encontro com Lula em Moscou – primeira parada desta viagem de Lula ao exterior -, o presidente russo, Dmitri Medvedev, disse que a proposta do Brasil e da Turquia seria a última chance do Irã de evitar as sanções da ONU.
Em troca, após um ano, o Irã tem direito de receber 120 quilos de material enriquecido a 20%. Rússia e França já haviam se oferecido para fornecer esse urânio.
A expectativa era de que um novo entendimento com os iranianos fosse anunciado ainda no domingo, mas o assunto não foi comentado nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tampouco pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, durante o encontro bilateral.
Inicialmente, o premiê Erdogan era esperado para um encontro trilateral com os líderes brasileiros e iraniano, mas acabou desistindo da viagem sob o argumento de que a o Irã não estaria “comprometido” com o acordo proposto.
No fim, Erdogan acabou viajando a Teerã, onde chegou nas primeiras horas da segunda-feira.
O suspense indica que a diplomacia para chegar a um acordo foi “complexa”, segundo as palavras do próprio ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em entrevista ao jornal Washington Post.
Na sexta-feira, em encontro com Lula em Moscou – primeira parada desta viagem de Lula ao exterior -, o presidente russo, Dmitri Medvedev, disse que a proposta do Brasil e da Turquia seria a última chance do Irã de evitar as sanções da ONU.
No domingo, Lula se encontrou com o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e com o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad.
A agência oficial iraniana IRNA noticiou que Khamenei elogiou o Brasil. Segundo a agência de notícias AFP, Ahmadinejad também fez elogios ao Brasil. Lula e Ahmadinejad discursaram em um evento para empresários dos dois países, mas nenhum dos dois mencionou a questão nuclear.
Ainda no domingo, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, divulgou uma nota em que agradece aos governos de Brasil, Síria e Senegal por seus esforços em prol da libertação da professora francesa Clotilde Reiss, que estava presa em Teerã desde o ano passado.
Reiss havia sido condenada em julho do ano passado por dez anos de prisão por espionagem e por ter enviado fotografias por e-mail mostrando protestos contra o governo iraniano.
O anúncio da libertação foi feito neste sábado, dia da chegada do presidente Lula a Teerã.
Segundo fontes da diplomacia brasileira, o presidente Ahmadinejad teria dito a Lula que a libertação da professora francesa foi um “presente” do governo iraniano ao presidente brasileiro.
Nesta segunda-feira, o presidente brasileiro participa de uma reunião do G15, um grupo de cooperação entre países em desenvolvimento não-alinhados. Além de Brasil e Irã, participam do G15 Argélia, Argentina, Chile, Egito, Índia, Indonésia, Jamaica, Malásia, México, Nigéria, Quênia, Senegal, Sri Lanka, Venezuela e Zimbábue.
A agência oficial iraniana IRNA noticiou que Khamenei elogiou o Brasil. Segundo a agência de notícias AFP, Ahmadinejad também fez elogios ao Brasil. Lula e Ahmadinejad discursaram em um evento para empresários dos dois países, mas nenhum dos dois mencionou a questão nuclear.
Ainda no domingo, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, divulgou uma nota em que agradece aos governos de Brasil, Síria e Senegal por seus esforços em prol da libertação da professora francesa Clotilde Reiss, que estava presa em Teerã desde o ano passado.
Reiss havia sido condenada em julho do ano passado por dez anos de prisão por espionagem e por ter enviado fotografias por e-mail mostrando protestos contra o governo iraniano.
O anúncio da libertação foi feito neste sábado, dia da chegada do presidente Lula a Teerã.
Segundo fontes da diplomacia brasileira, o presidente Ahmadinejad teria dito a Lula que a libertação da professora francesa foi um “presente” do governo iraniano ao presidente brasileiro.
Nesta segunda-feira, o presidente brasileiro participa de uma reunião do G15, um grupo de cooperação entre países em desenvolvimento não-alinhados. Além de Brasil e Irã, participam do G15 Argélia, Argentina, Chile, Egito, Índia, Indonésia, Jamaica, Malásia, México, Nigéria, Quênia, Senegal, Sri Lanka, Venezuela e Zimbábue.
domingo, 16 de maio de 2010
Brasil é relevante no cenario mundial
Francisco Carlos Teixeira, professor de história contemporânea e moderna na UFRJ, defende a postura do presidente Lula de apostar no diálogo e não no enfrentamento entre potências ocidentais e o Irã.Para o professor, o Brasil, oitava economia do mundo, tem peso para mediar este e outros conflitos internacionais.Como o senhor vê essa iniciativa do presidente Lula de tentar resolver o impasse nuclear iraniano? Lula tomou essa iniciativa contra todas as expectativas e sobre forte críticas, mas acabou convencendo a todos que o diálogo é melhor que o enfrentamento.No último mês, o jornal israelense Haaretz classificou Lula como profeta da paz e, ha 10 dias, a Time o colocou como a mais influente personalidade mundial.Se Lula é capaz de utilizar isso para negociar algo que possa evitar uma tragédia de grandes proporções, qual é o mal que isso pode ter? Não queremos guerra e sanções, que têm comprovado ser de pouca utilidade.Quais são os riscos que o Brasil corre ao acreditar na amizade entre Lula e Ahmadinejad? Não há que se falar em amizade nem riscos. Lula recebeu Ahmadinejad no Brasil como recebe outros chefes de Estado.Para o Brasil, a solução do impasse nuclear não tem consequência maior, mas reforça a imagem de sermos um país que não quer a guerra. Um desfecho positivo pode alavancar o status do Brasil no cenário internacional? Em caso de um resultado satisfatório, não creio que as grandes potências irão reconhecer OPOSIÇÃO Ahmadinejad se aproveita das boas intenções brasileiras que foi mérito do Brasil.
Brasil Irã e Turquia tem acordo sobre combustivel nuclear
O ministro do Exterior da Turquia disse neste domingo que um acordo foi alcançado entre Irã, Turquia e Brasil sobre os procedimentos para reavivar o paralisado acordo de troca de combustível nuclear defendido pelas Nações Unidas.Quando questionado por jornalistas em Teerã sobre se haveria um acordo sobre a troca de combustível, Ahmet Davutoglu respondeu: “sim, isso foi alcançado após quase 18 horas de negociações”.
O ministro do exterior turco afirmou que um anúncio oficial pode ser feito na manhã de segunda-feira, após revisão dos presidentes brasileiro e iraniano e do primeiro-ministro turco, que chegou à capital iraniana para juntar-se às negociações sobre o acordo neste domingo.
Antes de declaração do ministro, canais de televisão turcos já haviam divulgado que a troca de combustível que era negociada como forma de acabar com a disputa sobre o programa nuclear do Irã poderia se concretizar.
Apesar da informação de Davutoglu, nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e nem o líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, falaram sobre o assunto após uma série de compromissos neste domingo. Em discurso e nota do encontro, os dois afirmaram apenas que concordam com a necessidade de uma nova ordem econômica e comercial no mundo que conceda mais peso aos países emergentes.
Diferentes na forma, mas próximos no conteúdo, os dois lídeires fizeram um discurso parecido no encerramento de IV Fórum Comercial Irã-Brasil, realizado neste domingo, no centro de convenções da televisão nacional iraniana (Irib), no norte de Teerã.
Acordo da ONUUm acordo apresentado pela ONU em outubro oferecia ao Irã que enviasse 1,2 mil kg de urânio de baixo enriquecimento – o suficiente para a fabricação de uma bomba se enriquecido no patamar necessário – para a França e para a Rússia, onde seria convertido em combustível para um reator de pesquisas em Teerã.
O Irã afirmou que só aceitaria uma troca de seu urânio de baixo
enriquecimento por um material mais enriquecido, e que a troca deveria ser feita em solo iraniano, condições que as outras partes envolvidas no acordo consideram inaceitáveis.
O Irã nega acusações de países ocidentais de que estaria produzindo bombas atômicas e afirma que usa o combustível para fins pacíficos.
O Irã nega acusações de países ocidentais de que estaria produzindo bombas atômicas e afirma que usa o combustível para fins pacíficos.
EUA avisa ao Brasil que não tem intenção de invadir o Irã
Os EUA mandaram recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva refutando categoricamente a avaliação brasileira de que a nova rodada de sanções ao Irã seja o início de uma escalada para repetir o que houve no Iraque e invadir o país.
Pelos recados enviados por meio do Itamaraty e da Assessoria Internacional da Presidência, a intenção de Washington é oposta: as sanções, que dependem do Conselho de Segurança da ONU, serão, ou seriam, para evitar que os atritos entre o regime e as potências descambem para uma guerra.
A discreta investida americana para amenizar as avaliações do governo brasileiro começou após uma afirmação dúbia do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia.
Depois de uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, em 27 de abril, Garcia foi abordado por jornalistas que lhe perguntaram sobre o risco de guerra. Ele disse que não era um temor, mas não podia ser descartado.
“Quando se começa um determinado movimento, parar esse movimento às vezes é difícil. Você não consegue pôr a pasta de dente para dentro do tubo. E eu acho que já tiraram a tampinha”, disse ele.
A partir daí, o presidente Lula desmentiu publicamente que o Brasil trabalhasse com um cenário de guerra e houve telefonemas de Washington e visitas do embaixador americano, Thomas Shannon, a influentes gabinetes do Planalto e do Itamaraty, detalhando a posição dos EUA.
A Folha apurou que os interlocutores descartam uma aventura militar no Irã dizendo que os EUA não têm condições políticas, econômicas, financeiras e operacionais para repetir a invasão do Iraque.
O país se recupera da crise financeira, vive grave crise fiscal e não tem armamento nem tropas disponíveis. Todo o esforço de guerra está concentrado no Iraque e no Afeganistão.
A alternativa à invasão, atirar mísseis em locais estratégicos, como já ocorreu no governo do também democrata Bill Clinton, igualmente é descartada.
Motivo: o Irã aprendeu com aquele primeiro ataque a multiplicar seu arsenal estratégico e a diversificar os locais onde ele é armazenado. As armas estariam abaixo da superfície, no meio das montanhas, espalhadas por todo o país.
Isso significa que seria necessário repetir ataques. Eles não seriam capazes de eliminar o potencial bélico do Irã e justificariam um contra-ataque às tropas no Iraque e Afeganistão.
Ingenuidade
O custo, como vêm dizendo os americanos ao governo brasileiro, seria não só um caos na região como milhares de novas baixas nas tropas dos EUA.
Nas conversas entre Brasil e EUA sobre o Irã, há o cuidado de lado a lado de não confundir a disposição brasileira de intermediar uma solução para a questão do programa nuclear iraniano com a parceria explícita e provocativa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com o regime islâmico.
Há, porém, a percepção de um certo desconforto do Brasil com a perda de liderança para a Venezuela na aproximação da América do Sul não só com o Irã mas também com a Rússia -principal fornecedora de armamento, incluindo submarinos e aviões, para Caracas.
Apesar do cuidado em ressaltar a ascensão do Brasil no cenário internacional e as qualidades de Lula como líder regional, a avaliação do governo Obama coincide com a declaração da secretária de Estado, Hillary Clinton, que considerou “ingênua” a investida brasileira na questão iraniana.
Seria ingênua ou mesmo infantil na medida em que está “tateando” para entender o tamanho e os limites da sua desenvoltura e de seu poder de influência internacional.
Os EUA descobriram os deles ao perderem no Vietnã. O Brasil testa os seus na mediação entre Israel e palestinos, na crise de Honduras (os EUA reconhecem o presidente eleito, e o Planalto, não) e no Irã. Boa parte da resposta está no êxito, ou não, da visita de Lula.
Pelos recados enviados por meio do Itamaraty e da Assessoria Internacional da Presidência, a intenção de Washington é oposta: as sanções, que dependem do Conselho de Segurança da ONU, serão, ou seriam, para evitar que os atritos entre o regime e as potências descambem para uma guerra.
A discreta investida americana para amenizar as avaliações do governo brasileiro começou após uma afirmação dúbia do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia.
Depois de uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, em 27 de abril, Garcia foi abordado por jornalistas que lhe perguntaram sobre o risco de guerra. Ele disse que não era um temor, mas não podia ser descartado.
“Quando se começa um determinado movimento, parar esse movimento às vezes é difícil. Você não consegue pôr a pasta de dente para dentro do tubo. E eu acho que já tiraram a tampinha”, disse ele.
A partir daí, o presidente Lula desmentiu publicamente que o Brasil trabalhasse com um cenário de guerra e houve telefonemas de Washington e visitas do embaixador americano, Thomas Shannon, a influentes gabinetes do Planalto e do Itamaraty, detalhando a posição dos EUA.
A Folha apurou que os interlocutores descartam uma aventura militar no Irã dizendo que os EUA não têm condições políticas, econômicas, financeiras e operacionais para repetir a invasão do Iraque.
O país se recupera da crise financeira, vive grave crise fiscal e não tem armamento nem tropas disponíveis. Todo o esforço de guerra está concentrado no Iraque e no Afeganistão.
A alternativa à invasão, atirar mísseis em locais estratégicos, como já ocorreu no governo do também democrata Bill Clinton, igualmente é descartada.
Motivo: o Irã aprendeu com aquele primeiro ataque a multiplicar seu arsenal estratégico e a diversificar os locais onde ele é armazenado. As armas estariam abaixo da superfície, no meio das montanhas, espalhadas por todo o país.
Isso significa que seria necessário repetir ataques. Eles não seriam capazes de eliminar o potencial bélico do Irã e justificariam um contra-ataque às tropas no Iraque e Afeganistão.
Ingenuidade
O custo, como vêm dizendo os americanos ao governo brasileiro, seria não só um caos na região como milhares de novas baixas nas tropas dos EUA.
Nas conversas entre Brasil e EUA sobre o Irã, há o cuidado de lado a lado de não confundir a disposição brasileira de intermediar uma solução para a questão do programa nuclear iraniano com a parceria explícita e provocativa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com o regime islâmico.
Há, porém, a percepção de um certo desconforto do Brasil com a perda de liderança para a Venezuela na aproximação da América do Sul não só com o Irã mas também com a Rússia -principal fornecedora de armamento, incluindo submarinos e aviões, para Caracas.
Apesar do cuidado em ressaltar a ascensão do Brasil no cenário internacional e as qualidades de Lula como líder regional, a avaliação do governo Obama coincide com a declaração da secretária de Estado, Hillary Clinton, que considerou “ingênua” a investida brasileira na questão iraniana.
Seria ingênua ou mesmo infantil na medida em que está “tateando” para entender o tamanho e os limites da sua desenvoltura e de seu poder de influência internacional.
Os EUA descobriram os deles ao perderem no Vietnã. O Brasil testa os seus na mediação entre Israel e palestinos, na crise de Honduras (os EUA reconhecem o presidente eleito, e o Planalto, não) e no Irã. Boa parte da resposta está no êxito, ou não, da visita de Lula.
sábado, 15 de maio de 2010
Lula vé 99% de chances de acordo
Cercado de expectativas de todo o mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje à capital iraniana, Teerã, para tentar mediar um diálogo sobre o polêmico programa nuclear do governo de Mahmoud Ahmadinejad.
Depois de reunir-se ontem com o presidente russo, Dmitri Medvedev, no Kremlin, Lula se declarou confiante de que conseguirá convencer o Irã a voltar `a mesa de negociações.
Indagado sobre quais as chances de um acordo durante sua visita ao país, numa escala de zero a 10, Lula disparou: Eu daria 9,9.
Mais cauteloso, Medvedev considerou que a probabilidade de um acordo durante a visita de Lula é de 30%.
Vou ao Irã com a convicção de que vamos encontrar um acordo disse Lula. Se não encontrarmos acordo, vou para casa feliz porque não fui omisso.
O otimismo do presidente parece indicar que já deve haver alguma coisa positiva negociada com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, como apontam também as mudanças na reação de países como EUA, França e Rússia, que já manifestaram um entendimento de que o governo brasileiro é a última chance do Irã antes que a comunidade internacional aplique sanções ao país.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, antecipou sua ida a Teerã e viajou ontem mesmo à capital iraniana, cancelando a escala que faria junto ao presidente no Qatar para concluir as negociações com o governo iraniano antes da chegada de Lula ao país. Amanhã, o presidente se reunirá com Ahmadinejad, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e o presidente do parlamento iraniano, Ali Larijani.
A chave de um acordo para solucionar o impasse nuclear é encontrar uma fórmula que permita ao Irã enriquecer urânio a 20% fora de suas fronteiras, em uma operação que a princípio aconteceria sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica.
De acordo com o embaixador iraniano em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, o Irã insiste que a troca de urânio enriquecido a 5% por material a 20% seja simultânea. Se a condição for aceita, afirma Shaterzadeh, o Irã está disposto a negociar o local da operação.
O jornal britânico Financial Times publicou ontem uma reportagem em que critica a ingerência de Lula no Irã. Segundo o veículo, ao tentar mediar um diálogo com Teerã, o Brasil desafia a política externa dos Estados Unidos.
Depois de reunir-se ontem com o presidente russo, Dmitri Medvedev, no Kremlin, Lula se declarou confiante de que conseguirá convencer o Irã a voltar `a mesa de negociações.
Indagado sobre quais as chances de um acordo durante sua visita ao país, numa escala de zero a 10, Lula disparou: Eu daria 9,9.
Mais cauteloso, Medvedev considerou que a probabilidade de um acordo durante a visita de Lula é de 30%.
Vou ao Irã com a convicção de que vamos encontrar um acordo disse Lula. Se não encontrarmos acordo, vou para casa feliz porque não fui omisso.
O otimismo do presidente parece indicar que já deve haver alguma coisa positiva negociada com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, como apontam também as mudanças na reação de países como EUA, França e Rússia, que já manifestaram um entendimento de que o governo brasileiro é a última chance do Irã antes que a comunidade internacional aplique sanções ao país.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, antecipou sua ida a Teerã e viajou ontem mesmo à capital iraniana, cancelando a escala que faria junto ao presidente no Qatar para concluir as negociações com o governo iraniano antes da chegada de Lula ao país. Amanhã, o presidente se reunirá com Ahmadinejad, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e o presidente do parlamento iraniano, Ali Larijani.
A chave de um acordo para solucionar o impasse nuclear é encontrar uma fórmula que permita ao Irã enriquecer urânio a 20% fora de suas fronteiras, em uma operação que a princípio aconteceria sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica.
De acordo com o embaixador iraniano em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, o Irã insiste que a troca de urânio enriquecido a 5% por material a 20% seja simultânea. Se a condição for aceita, afirma Shaterzadeh, o Irã está disposto a negociar o local da operação.
O jornal britânico Financial Times publicou ontem uma reportagem em que critica a ingerência de Lula no Irã. Segundo o veículo, ao tentar mediar um diálogo com Teerã, o Brasil desafia a política externa dos Estados Unidos.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
EUA vé a vizita de Lula ao Irã como ultima chance
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã neste fim de semana pode ser a última chance para alcançar um compromisso com Teerã por conta de seu programa nuclear antes de uma nova rodada de sanções da ONU, disse uma autoridade de primeiro escalão do Departamento de Estado dos EUA nesta quinta-feira."Acredito que veríamos a visita de Lula como, talvez, a última grande chance de engajamento", disse a autoridade, que falou sob condição de anonimato, a repórteres.
Os Estados Unidos e alguns de seus aliados acusam o Irã de buscar usar seu programa nuclear civil como um disfarce para a construção de armas nucleares.
O Irã nega e afirma que sua intenção é apenas gerar eletricidade.O Brasil, que atualmente ocupa um assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU, se opõe a novas sanções contra o Irã por conta das atividades de enriquecimento de urânio da República Islâmica, afirmando que tais medidas prejudicariam os mais pobres e poderiam levar a uma radicalização maior do país.
Em sua visita de dois dias a Teerã, Lula buscará convencer o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, a reavaliar uma proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sob a qual o Irã enviaria urânio de baixo enriquecimento ao exterior e, em troca, receberia urânio mais enriquecido.Se esses esforços derem frutos, Lula pode reclamar crédito por ajudar a solucionar uma crise de segurança global.
Mas se o Irã rejeitar, críticos devem afirmar que Teerã estava simplesmente explorando a mediação brasileira para adiar a imposição de novas sanções.O Brasil tem um programa nuclear para a geração de energia, e, sob o governo Lula, tem procurado ampliar seu papel em assuntos globais.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Russia elogia propposta de Brasil e Turquia para o Irã
O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse nesta quarta-feira que a proposta de troca de combustível com o Irã que a Turquia e o Brasil estão tentando retomar seria uma possível forma de resolver o impasse sobre o programa nuclear da República Islâmica.
A Turquia e o Brasil, membros não-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, estão tentando retomar a proposta de troca de combustível nuclear, apoiada pela ONU, na tentativa de impedir novas sanções contra o Irã.
“Se esse tipo de proposta tiver o apoio de todos os participantes desse processo, então não seria uma maneira ruim de resolver essa situação”, disse Medvedev.
A Turquia e o Brasil, membros não-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, estão tentando retomar a proposta de troca de combustível nuclear, apoiada pela ONU, na tentativa de impedir novas sanções contra o Irã.
“Se esse tipo de proposta tiver o apoio de todos os participantes desse processo, então não seria uma maneira ruim de resolver essa situação”, disse Medvedev.
Pesquisador alemão disse que Brasil pode estar construindo bomba atomica

Às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã, o pesquisador alemão Hans Rühle afirmou suspeitar que o Brasil teria um programa nuclear "paralelo". A acusação é a mesma ostentada por Estados Unidos e outras potências ocidentais contra o programa nuclear iraniano.
Entre brasileiros comuns, que andam pelas ruas e assistem à televisão, a ideia de construção de uma bomba atômica soa improvável. Mas não para o pesquisador que acompanha o desenrolar político brasileiro de fora do país.
No início do mês, um artigo de Rühle aguçou o debate sobre a proliferação de armas atômicas. Num longo texto em que revisita episódios da história da ditadura militar e reproduz depoimentos de autoridades brasileiras importantes, como o presidente Lula, Rühle diz que o Brasil pode estar sim desenvolvendo uma bomba atômica às escondidas.
Entre brasileiros comuns, que andam pelas ruas e assistem à televisão, a ideia de construção de uma bomba atômica soa improvável. Mas não para o pesquisador que acompanha o desenrolar político brasileiro de fora do país.
No início do mês, um artigo de Rühle aguçou o debate sobre a proliferação de armas atômicas. Num longo texto em que revisita episódios da história da ditadura militar e reproduz depoimentos de autoridades brasileiras importantes, como o presidente Lula, Rühle diz que o Brasil pode estar sim desenvolvendo uma bomba atômica às escondidas.
Presidente do Paraguai pede desculpas por por confrontos entre militares e policiais
Em meio à violência que atinge cinco dos 17 departamentos do Paraguai, o presidente do país, Fernando Lugo, pediu desculpas nesta quarta-feira (12), em nome das Forças Armadas, à Polícia Nacional por um confronto entre militares e homens da corporação. Militares do Exército atiraram em policiais na cidade de Concecpción. Mas Lugo elogiou a atuação das forças de segurança, ao informar, sem detalhes, que houve redução dos casos de violência no país.Paralelamente, o presidente marcou para hoje reuniões com os comandantes militares e também com os governadores e os prefeitos das áreas que estão sob Estado de Exceção – que autoriza a ação federal como meio para conter a violência. A medida foi adotada no final do mês passado e deve durar 30 dias.
O objetivo é limitar o avanço da guerrilha denominada Exército do Povo Paraguaio (EPP). As informações são da Presidência da República do Paraguai.
No último dia 3, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Lugo, na cidade de Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A região é considerada uma das mais violentas. Os dois presidentes se comprometeram a ampliar os investimentos na área no esforço de conter as ações dos grupos armados. Do lado brasileiro, serão enviados homens da Força Nacional de Segurança Pública.
Lula e Lugo conversaram uma semana depois de o senador Robert Acevedo ter sofrido um ataque na cidade de Pedro Juan Caballero. O parlamentar conseguiu escapar de uma série de tiros apenas com alguns ferimentos. Mas dois assessores diretos dele – o segurança e o motorista – morreram. Acevedo é um dos políticos que denunciam as ações dos narcotraficantes e da EPP.
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